Prosa Poética: O amor nos transforma (E. M.)


Cristiane Luz

Sempre digo que quem o experimenta jamais permanece igual. Por isso afirmo: existe vida depois do amor. Ele nos dá fôlego, nos move, nos permite enxergar além do que os olhos alcançam. O amor expande o peito, reorganiza os silêncios e, mesmo quando dói, deixa marcas que nos lembram que estivemos vivos de verdade.
O amor nunca passa despercebido. Ele altera a forma como sentimos, como tocamos o mundo e como nos reconhecemos dentro dele. Há sempre um antes e um depois — e, no meio, um território sagrado onde tudo é intensidade.
Quem atravessa esse território encontra coragem. Mas encontra também suas próprias fragilidades, aquelas que antes estavam escondidas e que o amor traz à superfície com uma delicadeza quase cruel. Porque amar é, de certa forma, despir-se.
E ainda assim, vale.
Porque mesmo quando o amor não fica, ele ensina. Mesmo quando parte, ele transforma. E quem já foi atravessado por ele carrega dentro de si uma espécie de eternidade: a lembrança viva de que sentir profundamente é um dos maiores privilégios de existir.
Porque o amor, no fim das contas, é sempre maior do que nós. Ele nos atravessa, nos molda e nos devolve ao mundo mais inteiros, mesmo quando nos despedaça. Amar é se perder e se encontrar ao mesmo tempo.
No silêncio que fica depois dele, há sempre uma centelha — pequena, mas suficiente para nos lembrar que viver é, sobretudo, sentir o amor.

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Cristiane Luz

E-mail: crisluz1311@gmail.com

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