Feminismo: A palavra que incomoda


Cristiane Luz

Há palavras que chegam como um grito. “Feminismo” é uma dessas que não passa despercebida. Para alguns, soa como ameaça. Para outros, como esperança.
No ônibus, na fábrica, na sala de aula, no plenário: sempre que alguém pronuncia essa palavra, o ar muda. Uns franzem a testa, outros sorriem em cumplicidade.
Dizem que já conquistamos muito. E é verdade. Mas basta olhar para os números da violência, para os salários desiguais, para os espaços de poder ainda ocupados majoritariamente por homens, para perceber que a luta não terminou. O feminismo é o lembrete de que não podemos descansar.
É curioso como uma palavra pode carregar tantas batalhas. Feminismo é a mãe que trabalha em dois turnos e ainda encontra tempo para sonhar. É a jovem que exige respeito no transporte público. É a trabalhadora que reivindica condições dignas. É a voz que insiste: lugar de mulher é onde ela quiser.
E, ao mesmo tempo, eu conheço homens INCRÍVEIS. Meu cunhado, que tem quatro mulheres em casa e cuida muito bem delas. Meus sobrinhos, casados com mulheres maravilhosas, e um deles já pai de uma menina. Conheço também um homem que abre portas para mim, que sorri, que mesmo quando estou brava me compreende e me ouve. Esses homens mostram que a luta não é contra eles, mas contra a injustiça. Eles são prova de que o feminismo é também sobre parceria, respeito e humanidade.
E talvez seja por isso que incomoda tanto. Porque o feminismo não pede licença — ele abre caminho. Ele não é apenas sobre mulheres; é sobre justiça, sobre humanidade.
Lutar pelo feminismo é lutar para que a palavra deixe de ser bandeira e se torne cotidiano. Para que um dia, quem sabe, possamos dizer: não precisamos mais lutar, porque a igualdade já é realidade.

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Cristiane Luz

E-mail: crisluz1311@gmail.com

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