Cristiane Luz
A avalanche de defensores de um homem que matou os próprios filhos para “vingar” uma traição prova, de maneira irrefutável, a urgência de tornar a luta contra a misoginia uma bandeira de todo o Brasil. Nós, mulheres, não podemos ser ameaçadas por uma legião de frustrados incapazes de lidar com a rejeição.
Não foi um crime passional. Foi a expressão brutal de uma lógica antiga: a de que a mulher é propriedade e de que a família é extensão da “honra” masculina.
Quando a traição vira justificativa para matar, não estamos diante de ciúme ou desequilíbrio. Estamos diante do patriarcado em seu estado mais puro e perverso, onde a autonomia feminina é vista como afronta e os filhos se tornam instrumentos de punição.
Muitas vezes venho a esta página em busca de palavras que despertem as mulheres que me seguem. Já fui criticada por isso, mas sigo. Hoje, embargada, não consegui começar com meu habitual “bom dia” - o desabafo de uma amiga.
Mulheres, despertem. Se armem de consciência, se amem, não se permitam envolver com esse tipo de homem. Não há dor maior que a perda de um filho.
Os matadores de mulheres são sujeitos odiosos: matam não apenas as mulheres, mas também os amores, porque o ímpeto de possuir e controlar é maior do que o de cuidar — ou de permitir que vivam fora de seus domínios.
Não é apenas a morte: é também a culpa indevida, a violência que continua depois do crime, infiltrada como veneno na memória, tentando reescrever a responsabilidade. Mas a responsabilidade tem nome e endereço. Não é da mulher que quis sair. Não é da mulher que quis viver. É de quem odeia tanto que transforma o amor em campo de extermínio.
Já imaginaram se toda mulher traída matasse seus filhos?
O patriarcado é cruel, dissimulado, ardiloso. É o puro suco do mal para todas nós. E ainda pior: muitas mulheres ainda apoiam, acham certo, criticam outras mulheres, cegas em seguir essa idolatria.
🌹 Fiquem atentas.
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