Cristiane Luz
As três amigas entraram na cafeteria e olharam ao redor: ali, nada era comum. O nome já fazia menção. Um lugar cosmopolita é aquele que acolhe a inclusão, o diálogo e as diferentes culturas.
Uma delas era eu, a escritora, inspirada por revelações da alma... já imaginava, naquele ambiente, um encontro digno de crônica — vibrando emoções e delicadezas.
Era sábado, um dia lindo e ensolarado que recém se iniciava. Entramos no Cosmopolita Café como quem desembarca de viagens internas. Era a minha primeira vez ali, e o ambiente aconchegante fez com que eu compreendesse a sugestão das minhas amigas: eu não precisava disfarçar minha criatividade poética.
A ideia era simples: comentar como foi a palestra na escola sobre meu livro, Fantoches da Primavera. Mas as palavras são como crianças curiosas — escapam pelas janelas e falam com a alma. As xícaras de café quente ainda estavam pela metade quando deixei as emoções transbordarem, com brilho nos olhos e algumas lágrimas que dispensaram explicações.
Falei sobre a sensação de ver meu livro nas mãos dos adolescentes que gostam de ganhar o mundo. Também sobre a versão que não se escreveu com tinta, mas com a alma — aquela que se revela sem medo.
Minhas amigas não sabiam se olhavam o ambiente ou para mim. Porque ali, naquela mesa cercada pelo mundo inteiro, a cafeteria virou palco, confessionário e abrigo. O barulho da rua se perdeu entre palavras reveladas.
Empolgada, continuei minha narrativa: os alunos não apenas leram, mas entraram na história. Imaginei como meu Fantoches ganhou vida em suas cabecinhas aventureiras. Me vi como uma criadora de mundos.
Um detalhe curioso é que, quando entramos, já havíamos sido atraídas para a mesa do centro — que mais parecia um canto mágico, com suas folhagens verdes e luzes suaves, montando um cenário de fantasia. Foi lá que tiramos algumas fotos, eternizando o momento. A parede era viva, com o sussurro da natureza. Ali, Fantoches da Primavera também estava sendo representado.
Pedimos mais uma rodada de café para acompanhar os doces. Para minha surpresa, a atendente colocou diante de mim uma xícara de café com leite, onde meu nome havia sido desenhado naquela espuma maravilhosa.
Sorri, emocionada. Porque, naquele sábado, eu não apenas falei sobre meu livro — eu vivi sua essência, com pessoas que me veem por dentro: minhas queridas amigas, Ágata e Roberta. E percebi que, quando a alma é ouvida, até o mundo se senta à mesa com a gente — e nos oferece café com nome próprio.
Clique aqui para seguir esta escritora
Pageviews desde agosto de 2020: 128166
Site desenvolvido pela Editora Metamorfose